segunda-feira, 25 de setembro de 2017


Já a algum tempo que não faço um relato de uma aventura por aqui. GTSA
Escolhi uma música do Rodrigo Leão ( https://www.youtube.com/watch?v=-smjVNvFik4&list=RD-smjVNvFik4#t=0 ) para me acompanhar enquanto escrevo.
No Sábado uma equipa de 5 laranjinhas fomos ao GTSA. Uma sigla forte mas que só quer dizer Grande Trail Serra D’Arga.
Eu era um dos cinco magníficos. Antes que diga mais… Somos verdadeiros heróis. É que nem vale a pena pensar. Gente que não faz da corrida vida. Gente que faz isto para se divertir. Gente que se reconhece nas vitórias pessoais e dos amigos. E nas derrotas de objetivos que traçaram. Pessoas que se atrevem a desafios cheios de dúvidas se desta vez vão conseguir.

Estes são os verdadeiros abraços. E eu iria com eles, confiante, para qualquer aventura. Malta boa, amiga, carinhosa, resiliente, cheios de histórias e de vida.
Com meses de antecedência, A Sandra, o Rubén, o Gonçalo, o Paulo, a Paula e eu inscrevemo-nos na prova. Infelizmente a Paula acabou por não participar.
Mais perto do dia começamos a organizar a estadia, o transporte e as refeições antes e depois da prova. Fomos conversado também do material que devíamos carregar connosco na prova.

Na viagem de carro, conversa-se um pouco de tudo. O assunto principal são normalmente histórias de provas e aventuras passadas. Gozamos uns com os outros numa atitude saudável.
Muitas vezes, fico calado a ouvi-los. Cambada de doidos.

Faltava combinar a hora do checkin e a logística com o Rubén que foi de comboio do Porto para Caminha. Isto com o Rubén dá sempre confusão, mas desta vez até correu bem. Foi o primeiro a chegar. Mas só porque a responsável do checkin amavelmente o foi buscar a estação e o levou direitinho para a casa.


No dia anterior a prova jantamos todos na casa alugada no Airbnb. A Sandra fazia o jantar e nós fomos as compras.
Depois de levantar os dorsais, lá estávamos nós na partida. O habitual ambiente de um nervosinho miudinho.
Em redor viam-se as montanhas que iriamos subir.
Desta vez o sino da igreja é que dá a partida. Lá vamos nós serra acima, com as palmas das centenas de pessoas que ali estão. Levantamos os braços a agradecer e começamos a focar na prova.

As provas teem tantos momentos de interiorização e assuntos que é impossível lembrar de todos agora. São coisas pessoais que nos passam na cabeça, outras vezes coisas sem importância. Por vezes damos conta que estamos a correr e a descer uma serra e precisamos estar atentos para não cair.
Quando vimos o fotógrafo erguemos o peito e corremos. Mesmo se a uns metros atrás estivéssemos a andar. Faz parte e é assim. Não há outra forma.

Há momentos que pensamos nos nossos companheiros. Como é que eles se estarão a sair? Já todos fizemos provas sozinhos. Este aconchego de saber que não estamos sozinhos e que no final vamos levar um abraço é muito bom. É mesmo assim.

Desta vez eu tinha muitos motivos para terminar e querer terminar. E foi isso que fiz. Apesar de pensarmos nos amigos nem sempre nos preocupamos se eles irão conseguir. A partida confiamos que sim. Apesar das conversas e das dúvidas no dia anterior pensei que todos iriamos terminar. A Sandra parecia quem menos acreditava que conseguiria acabar esta prova.
O Gonçalo, o Ruben e o Paulo não haveria muitas dúvidas que terminassem a prova.
Por motivos diferentes eles não cortaram a meta. O Paulo, prudente, resolveu não lesionar os joelhos. O Gonçalo, ao km 45, esperou pelo Rubén e para seguirem os dois com frontal e quando o Rubén chegou, impelidos pelos membros da organização, decidiram não avançar sob o risco de caírem e se magoarem na última descida.

Quando o Gonçalo chegou ao pé de mim e me disse que não tinha terminado, vinha desanimado, via-se.
O Rubén chegou depois. Imagino que lhe estavam a passar mil pensamentos na cabeça. Nem lhe conseguia dar um abraço.
Juntamo-nos os quatro e fomos beber uma cerveja e esperar pela Sandra.

Quando ainda conjeturávamos sobre a possível hora de chegada dela, “Olha a Sandra!!!”. Vinha lá ela numa passada de corrida a chegar a meta. Surpreendeu em pelo menos meia hora.
Que alegria a nossa. E a dela também que saldou tudo com beijos e abraços.

Termino a dizer que para além de nós muitas pessoas se superaram nesse dia e outras ficaram tristes.
A prova importa, claro. Mas de que vale uma prova superada ou não superada se não nos unir a amizade que nos abraça de uma forma tão bonita.

Orgulho em ser RUN 4 FUN



Runabraços

Rui Faria